Como este arranha-céu de 116 andares vai confundir o vento

Como este arranha-céu de 116 andares vai confundir o vento

Quando a Smith + Gill Architects mostrou seu design para a Imperial Tower, que vai ser o maior edifício de Mumbai, a descrição do projeto confundiu muitos críticos. “O prédio”, os arquitetos explicaram, “foi feito para confundir o vento.” Que? Curiosa para saber exatamente o que isso significava, entrei em contato com Gordon Gill, uma das metades responsáveis pelo escritório de arquitetura.

Não existem muitos arranha-céus na cidade, e em partes foi por isso que o design de Smith + Gill chocou tanta gente. Dúvidas sobre a divisão dramática da cidade entre ricos e pobres a parte, a torre de 116 andares no formato de um rim vai literalmente elevar-se a 365 metros acima do resto de Mumbai quando abrir. A fachada de vidro é perfurada por dezenas de recortes. Às vezes são varandas, às vezes jardins, e às vezes não tem função nenhuma.
Segundo Gill, o padrão com recortes não é ornamental – é um detalhe estrutural crucial que alivia a pressão negativa formada pelo vendo que bate na estrutura fina. “O que acontece é que o vento passa por um lado e cria um vórtice no extremo oposto. A mesma coisa acontece no outro lado, criando uma pressão negativa, e puxando o edifício de lado a lado. Se o prédio é bom, você acabar com um movimento harmônico, como uma folha de grama no vento.”
É por isso que a maioria dos prédios altos têm amortecedores no telhado – eles neutralizam a vibração natural do edifício. A Imperial Tower, como explica Gill, tenta neutralizar a vibração ao quebrar o fluxo de pressão negativa em sua fachada. “Eu sempre digo que estamos basicamente ajustando o prédio”, explica.
Ainda não existem muitos prédios dessa altura pelo mundo – e gastar dinheiro e anos para construir um não abre muito espaço para experimentações. “As ideias sobre o comportamento do vento ainda estão sendo desenvolvidas”, explica Gill. “Quando estava na escola, o pensamento básico era que um tubo de extrusão era uma forma perfeita. Depois um quadrado de extrusão. A verdade é que nenhum deles é preciso.”

 



Em vez disso, o escritório confia em dados de um túnel de vendo em Waterloo, Canadá, para dar feedback de como o vento vai reagir em determinados ambientes ou fachadas. Eles também pegam ideias emprestadas de engenharia automotiva e aeroespacial; afinal, estruturas que chegam tão perto do céu são mais como naves espaciais do que prédios. E como em uma missão espacial nos primórdios dos estudos, não sabemos se o design funcionará até que ele seja testado. 

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